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Imoralidade, Incompetência e Liberalismo: os valores de Bolsonaro e correligionários

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Hoje é dia de eleição no Brasil e, embora a popularidade do atual presidente do país estar em baixa por conta da sua péssima gestão no controle da pandemia do covid19, seu poder de influência na indicação de nomes para representar o Estado nas cadeiras municipais (vereadores e prefeitos) ainda foi grande. Mas o que faz uma pessoa tão desprezível como o Jair Bolsonaro ter poder de influência sobre uma parcela ainda grande da população brasileira? Adiante vai minha teoria.

Vivemos tempos líquidos, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, onde as relações sociais, profissionais e até amorosas, existem sem bases sólidas para sustentarem-se. Os amigos não podem ter defeitos, os amores tem que atender as expectativas romantizadas vendidas em comerciais da Coca-Cola e os empregos devem nos fazer sentir valorizados, senão a gente troca. Não importa se o amigo, o amor ou o empregador investiram tempo em você…se no agora eles ja não atendem tuas expectativas, não há razão para mantê-los, segundo a lógica das relações liquidas. Isto pode explicar a alta rejeição do partido de Lula (ou será que Freud explica melhor?) e a escolha sem embasamento pelo Bolsonaro nas eleições de 2018. Num mundo onde os valores morais da população estão distorcidos, os contratos sociais defasados e as instituições desacreditadas, não é incomum que seja depositado a um desconhecido o papel de “Salvador da Pátria”. Mas, o que faz esse Messias continuar recebendo votos de confiança mesmo após mostrar-se imoral, incompetente e anti-estadista? Vamos às estatísticas.

A escolha de representantes da sociedade, como o nome já diz, tem como objetivo eleger pessoas que representem os interesses coletivos de uma determinada região. O voto, porém, é individual e, numa democracia, cada indivíduo pode decidir livremente sobre quem, ele ou ela, quer ver no Congresso representando seus interesses particulares. Num país como o Brasil, que ainda tem mais de 9 milhões de analfabetos e mais de 60% dos jovens entram no Ensino Médio sem dominar competências de linguagem (como escrita e leitura), nós deveríamos esperar que a população escolhesse representantes que endereçassem soluções para estes problemas. Porém, o calo do descaso do poder público com os valores morais, importantes para qualquer sociedade, parecem doer mais – e é exatamente nesta pauta que Bolsonaro e seus correligionários focam: no que a população quer ouvir. Tenta pensar na tua educação enquanto passa por alguma raiva. Não dá. E a turma do atual presidente sabe disso.

Outra coisa que eles sabem é que tem muita gente despreparada para conseguir um emprego decente no Brasil. A culpa não é deles, claro. O Estado Brasileiro é omisso com a população carente e isso torna os indivíduos extremamente vulneráveis para eleger pessoas como eles: sem preparo ou competência (Mais de 50% da população brasileira acima de 25 anos não tinha o Ens. Médio completo em 2019 e 25% dos jovens entre 18 e 29 anos NEM estudavam NEM trabalhavam, no Brasil), mas com muita paixão pelo país. É preciso fazer um trabalho muito grande de identificação para que essas pessoas vejam um cientista politico os representando, por exemplo. Isso traz, de novo, um ponto favorável aos correligionários do Bolsonaro. Eles são pessoas despreparadas, anti-ciência, que não pensam no dia de amanhã porque não sabem se sua falta de competência vai garantir a sobrevivência de hoje – e existem muitas pessoas assim no Brasil.

Por ultimo, mas não menos importante, o liberalismo é o fator que faz o Brasil estar sendo presidido por um narcisista tirano nos dias atuais. Tornar o estado mínimo é o desejo dos que pagam altos impostos para a sociedade pelo fato de acumular riquezas. É a urge dos que estão desacreditados na justiça (social, econômica, jurídica, etc) do Estado, dos que atuam à margem das leis atuais, dos que estão sob o domínio do tráfico e das milícias e não enxergam a ação do Estado para protegê-los. É também um ponto chave para a lógica das relações líquidas, haja vista ser uma teoria individualista, sem base sólida para sustentar relações (especialmente as trabalhistas, neste caso). Desconheço estatísticas publicas e oficiais que quantifiquem os liberais do Brasil, mas pela quantidade de eleitores com ensino superior completo eleitores do Bolsonaro, diria que são muitos.

A sacada maléfica de fazer campanhas politicas para atingir estes públicos foi inteligente – não sei se foi obra do Bannon, atualmente banido do Twitter, ou de algum outro ser humano individualista, indigno dos genes da especie Sapiens – mas o ponto é que a estratégia tem funcionado e, provavelmente, vai levar às Câmaras Municipais ainda muitos candidatos imorais, incompetentes e liberais como o Bolsonaro. Fiquemos atentos. Temos muito trabalho a fazer para que o mesmo não ocorra em 2022. Trump caiu. Bolsonaro cairá.

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