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O papel do esportista na atualidade

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Mais uma vez um ato racismo ocorreu e chamou a atenção por todo o mundo. Agora o ocorrido foi em Paris, em um jogo da Liga dos Campeões entre o PSG e o Istambul Basaksehir. Para quem não viu, o auxiliar técnico do Basaksehir Pierre Webó foi expulso do jogo e foi alvo de um ataque racista de um dos árbitros da partida. Ainda que o 4° arbitro negue que seja racista, o racismo está impregnado na construção da nossa sociedade e precisa ser debatido e abolido.

Os bons exemplos

Existem pessoas que insistem em dizer que racismo é simples mimimi. Essa ideia é inconcebível em nossa realidade. E há, ainda, pessoas que acham que o futebol, por exemplo, é algo a margem da nossa sociedade, que tudo pode acontecer por lá por causa do calor do jogo. Futebol é, acima de tudo, educação, sociabilidade e cidadania. Mas há quem hoje lute contra a praga do racismo dentro e fora do esporte.

No fatídico jogo de ontem, o qual tornou-se um marco importante na luta contra o racismo, é preciso destacar o papel dos jogadores Demba Ba, Neymar e Mbappé. Demba Ba, experiente jogador do Basaksehir, foi o primeiro a confrontar a equipe de arbitragem por conta do fato ocorrido. Demba Ba fez história. Ele questionou o árbitro com a fala:

“Você nunca diz ‘aquele cara branco’, você diz ‘aquele cara’. Por que quando você menciona um cara negro você diz ‘aquele cara negro ali?”.

Talvez nunca um outro jogador, em nenhum momento, fez a história em movimento ao questionar uma “autoridade” dentro de campo. Por vezes, o mais comum era se calar.

Neymar e Mbappé tiveram um papel importante pelo lado do clube francês, eles lideraram o time no propósito de não jogarem a partida enquanto o juiz Sebastian Coltescu estivesse em campo. O peso que ambos os jogadores possuem, seja dentro ou fora de campo, contribui positivamente na luta contra a estrutura racista que perdura em nossa sociedade.

E nessa luta não podemos deixar de mencionar e enaltecer os jogadores Richarlison, atualmente no Everton da Inglaterra, e Jean Pyerre, atleta do Grêmio. Ambos são ativos nas redes sociais na luta contra diversas causas, sobretudo no combate ao racismo. Vale ao leitor procurar o vídeo da entrevista do Jean ao programa Bem Amigos na última segunda-feira. Em relação ao Richarlison, o atacante é de longe o jogador brasileiro mais ativo na luta por justiça social. Ele é o atleta mais importante nesse momento e com todos os méritos.

Por que os esportistas são tão importantes nesse momento?

Neymar, Richarlison, Jean Pyerre e tantos outros, são figuras públicas e de grande visibilidade. Eles possuem o poder da comunicação em massa. Neymar possui 143 milhões de seguidores no Instagram. Richarlison é seguido por 3 milhões de pessoas e o Jean Pyerre por 413 mil usuários da plataforma. Em um olhar frio são números expressivos. Mas não são só números, são pessoas, são cidadãos que consomem diariamente o que é postado por esses atletas. Cada ato desses jogadores também é um ato político. Cala-se diante de diversos fatos que ocorrem no mundo também é um ato político. Quando esses jogadores perceberem o poder que possuem para construir com uma sociedade mais justa, o resultado poderá muito melhor. Richarlison já percebeu isso. Jean Pyerre também. Neymar parece que começa a se dar conta da força que tem.

Por isso os esportistas são vetores importantes para introduzir nas pessoas o debate que, por vezes, passa despercebido por muitos. A luta contra o racismo não pode passar despercebida. O combate a homofobia, ao machismo, a misoginia e tantas outras formas nojentas de discriminação não podem passar despercebidas. Que mais atletas tomem coragem para lutar contra isso. Por mais Demba Ba, Richarlison por aí. E que treinadores como Jorge Jesus, árbitro como o Sebastian Coltescu possuam menos espaço de fala em nossa sociedade.

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