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O papel dos clubes de futebol na luta antirracista

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Ontem, mais uma vez, o futebol foi deixado de lado e um ato racista ganhou a repercussão. O jogador Gerson, do Flamengo, ouviu do atacante do Bahia, Ramirez, a frase “cala boca, negro”. Ramirez, após as investigações, se comprovado o fato, deverá ser punido. No momento ele foi afastado pela diretoria do Bahia. Mas será que só Ramirez merece punição? E o Bahia?

Primeiramente precisamos contextualizar que o Esporte Clube Bahia tem se notabilizado pelas ações afirmativas. O clube se engajou em pautas contra o racismo, o machismo e a homofobia, por exemplo. Sendo um dos poucos clubes do Brasil com uma bandeira fincada em pautas progressistas, mas é preciso ir além.

Defendo a tese que o clube precisa responder juntamente com o atleta que cometeu o ato racista. O clube, que também é uma empresa, tem o dever de capacitar os seus funcionários. É preciso que os dirigentes de clubes percebam que os times de futebol são parte da nossa sociedade. As pautas antirracistas, bem como outras como o combate a homofobia, precisam ser feitas para fora dos clubes, mas também para todos os funcionários. A contratação de um jogador, a formação de um atleta na base, não pode estar dissociada da realidade da nossa sociedade.

Quando um funcionário comete tal ato, como esse de ontem, de cunho racista, perpassa por toda uma estrutura da empresa. Será que em algum momento o Bahia debateu o racismo com seus funcionários? Quando são feitos os contratos com os jogadores, lá constam cláusulas que gerem a rescisão de contrato dos jogadores após atos racistas, homofóbicos ou até mesmo agressão as mulheres em suas residências? Por isso os clubes precisam sofrer punições quando seus empregados reproduzem as práticas condenáveis de nossa sociedade, pois, são, também, responsáveis por seus jogadores.

O futebol também é educação, sociabilidade e cidadania, não somente o espetáculo. Ele precisa fomentar o debate, reflexão e ações em prol de uma sociedade melhor. Não podemos continuar aceitando que tudo que ocorre dentro de campo é permitido por causa do calor da emoção. Se o clube quem forma o atleta não debate o racismo, o machismo, a homofobia, entre seus pares, por exemplo, como esperar que atos racistas não ocorram dentro de campo?  Precisamos avançar ou então voltaremos a relatar mais atos discriminatórios ou já esqueceram do racismo cometido pelo árbitro romeno ao Pierre Webó no dia 08/12/20?

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