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O poder das estatísticas

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Estatística. Atire a primeira pedra quem nunca ouviu alguém falar mal dessa “disciplina da faculdade”. A despeito de reclamações estudantis de diferentes áreas de estudo, porém, a ciência Estatística está mudando a forma como estamos identificando e resolvendo problemas no dia-a-dia e, finalmente, ocupando seu lugar de fala na formulação de um mundo melhor.

Imagina um cidadão, vivendo numa fazenda, querendo entender porquê certas sementes de ervilhas crescem em certos lugares e outras não. Ele então organiza um experimento controlado: Separa pedacinhos de terra com as mesmas características e planta sementes de ervilha diferentes. Anota qual cresce e guarda. Aí, muda as condições de alguns pedacinhos de terra e planta somente as sementinhas que ele já sabia que crescem. Observa e então percebe que, em certas condições de temperatura e rega, algumas sementinhas crescem mais do que outras. Anota de novo e então identifica um padrão: Sementes X crescem melhor nas condições de temperatura Y e frequência de rega Z. Pronto, é mais ou menos assim que funcionam a maioria dos experimentos estatísticos – e foi a partir de um problema parecido com esse que a base da ciência estatística começou a ser desenvolvida. 

Solução de Problemas 

A estatística está para a solução de problemas assim como o melancia está para a Magali. Todo problema é visto como uma potencial base de dados a ser explorada. Toda base de dados é uma potencial tomada de decisão. Arrisco dizer que não há um problema no mundo que não possa ser resolvido usando técnicas estatísticas. Das finanças pessoais ao capitalismo. Da plantação de ervilhas à qualidade da educação. Tudo é estatística.

Diante de tanto poder, é super necessário a observação de preceitos éticos e morais no uso da estatística para a solução dos problemas do mundo. Nesta semana, a Associação Brasileira de Estatística teve que publicar uma Carta, endereçada ao Ministério da Ciência e Tecnologia expressando “desconforto” e “estranheza” com a apresentação feita pelo órgão oficial do governo sobre a indicação do uso de um medicamento sem eficiência comprovada no tratamento da COVID-19: “Entendemos que toda divulgação de informações oficiais deva primar por uma apresentação precisa e completa para que a população seja instruída a partir de conhecimentos comprovados e validados pela ciência”, colocando-se à disposição para auxiliar o MCTIC nesta tarefa. 

(https://redeabe.org.br/site/noticias/carta-ao-ministerio-da-ciencia-e-tecnologia)

Como esta apresentação do MCTIC, outras muitas atrocidades já foram cometidas por jornais televisivos, revistas e outros meios de comunicação na tentativa de inibir as informações relevantes que os dados traziam e até deram origem a um livro famoso, do americano Darrel Huff, “Como mentir com estatísticas”, que todas as pessoas que trabalham com dados deveria ler. Não para aprender a mentir, claro. Mas para aprender a não ser enganado com tabelas, gráficos e medidas estatísticas distorcidas. 

Profissão do Presente e Futuro

A arrancada da importância das estatísticas para tomada de decisão que ocorreu nos últimos anos deveu-se, principalmente, ao avanço e democratização da tecnologia, onde o uso de softwares livres para analisar bases de dados (públicas ou não) se tornou possível para qualquer cidadão com um computador à mão. 

No começo, engenheiros, matemáticos e físicos tomaram a frente das análises e modelagem de dados, haja vista já dominarem linguagens de programação e uso de computadores. Os estatísticos e cientistas de dados, porém, destacaram-se muito rápido por agregar ao pacote tecnológico de habilidades outros skills como a formulação de testes de hipóteses e modelos de associação e previsão muito mais práticos e realistas do que seus antigos concorrentes. 

Hoje em dia, não há dúvidas de que profissionais com uma sólida base em Estatística destacam-se em qualquer ramo de atuação que escolherem atuar. Onde há dados há estatísticos trabalhando para melhorar processos e identificar padrões. Já passou da hora de todos saberem disso – e também dos estudantes da “disciplina da faculdade” pararem de reclamar e começarem a prestar atenção no poder das estatísticas. Fica a dica.

Boa semana, pessoal!

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