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O que aprender com Outubro, o mês da sabedoria

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Mês das crianças e dos professores, Outubro é para ser celebrado. Na contramão das tradições capitalistas de comprar presentes, o uso da imaginação e do carinho para agradecer e valorizar as pessoas especiais com opções “artesanais” de demonstrar cuidado ganhou espaço durante o período de isolamento social.

Com as crianças funcionou desde “cinema em família, em casa”, com filme escolhido por elas, até a produção de aviões de papel, quadros pintados a mão, camisas tye-die, bolo de chocolate e banho de mangueira na área de serviço. Ninguém sentiu falta de um brinquedo novo por aqui. O presente era estar presente.

Para os professores, as flores e abraços virtuais, além de depoimentos personalizados com palavras de encorajamento e reconhecimento, ocuparam o espaço das maçãs deixadas em cima da mesa. Vi professores orgulhosos de terem escolhido a profissão, postando fotos nas redes sociais deles próprios – e de seus mestres, escrevendo nas lousas, corrigindo provas, apresentando pesquisas em congressos… Mais do que ganhar um salário (e maçãs), professores querem fazer a diferença nas vidas das pessoas e ver (e saber) do reconhecimento deste impacto é, mesmo, o melhor presente.

Crianças e professores nos ensinam diariamente, de formas diferentes. Com as primeiras, se estamos preparados, aprendemos a nos destituir de preconceitos, medos e padrões nas formas de agir. Com os professores, aprendemos a nos interessar por coisas que nem sabíamos que existiam. Geografia do Cerrado, História de Senegal, Línguas Asiáticas e por aí vai. Somos todos crianças e professores. Hora estamos aprendendo, hora ensinando. Um adulto se torna um professor quando tem uma criança por perto. E vice-versa.

No Brasil, em 2019, segundo o IBGE, havia 38 milhões de crianças entre 0 e 13 anos e 12 milhões de adolescentes entre 14 e 17 anos, totalizando 50 milhões de pequenos que precisam de cuidado e atenção. Qual o tempo que estamos doando para eles? Você já perguntou para sua criança se ela prefere um brinquedo ou brincar com você? As crianças que estão em situação de vulnerabilidade, por questões de sobrevivência, podem preferir levar uma cesta básica para casa – e assim os pais poderem usar o tempo que sairiam a buscar comida para brincar com elas. Já pensou nisso?  A bolha do capitalismo, às vezes, não nos deixa ver os detalhes importantes da vida…os professores até tentam nos ensinar, mas nem sempre estamos preparados para aprender.

Neste mês de reflexões, onde aprender e ensinar são as palavras mais usadas do nosso vocabulário, pensar sobre como celebrar os dias das pessoas que transformam o mundo é um dever cívico. O melhor presente é estar presente, diz a sabedoria popular. Quem é o consumismo para ocupar esse lugar?

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