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Os desafios profissionais de mestres e doutores no Brasil

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No último dia 08 de julho comemoramos o Dia Nacional da Ciência e o Dia Nacional do Pesquisador Científico. Você sabia que nos últimos 10 anos, nós dobramos o número de mestres e doutores no Brasil? Uma notícia muito boa, mas que poderia ser muito melhor se estes pesquisadores estivessem usando seus respectivos potenciais de transformação social e avanço científico para contribuir com o desenvolvimento econômico e social do Brasil. O que está faltando então?

Em 2019, a CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) pagou 44 mil bolsas de mestrado, 43 mil bolsas de doutorado e 6 mil bolsas de pós-doutorado a estudantes brasileiros que fizeram pesquisas no país, totalizando um investimento de, aproximadamente, 2 bilhões de reais no ano. Longe de ser uma fortuna (gastos com pensões para filhas de militares representam 2x esse valor, segundo o Senado Federal), este investimento tem objetivos claros de preparar cidadãos para resolver problemas complexos da nossa sociedade. E prepara. Porém, entre o preparar e o fazer uso está uma longa distância…

Segundo reportagem da Folha de S. Paulo publicada em 2019, apenas 0,8% das pessoas com idade entre 25 e 64 anos tem mestrado no Brasil. A média dessa estatística em países que fazem parte da OCDE é de 13%. Quando se fala em doutorado, a relação é de 0,2% de doutores no Brasil para 1,1% na população de países da OCDE.

Se a parcela da população com mestrado e doutorado é pequena, a parcela de mestres e doutorados que está desempregada ou atuando em um setor diferente da sua área de formação é grande. A cada 100 mestres formados no Brasil, 35 não conseguem emprego e a cada 100 doutores formados, 25 estão desempregados, segundo dados de 2014 do MCTIC. No mundo, a taxa de desocupação de doutores é de 2%…

São muitos os fatores que podemos elencar para explicar essas diferenças, entre eles:

– O Estado (em suas agregações municipais, estaduais ou federais) faz uso de indicações pessoais e políticas em detrimento de seleções de cientistas e pesquisadores para ocupar cargos de gestão pública;

– Executivos de empresas e industrias se sente inibidos de contratar mestres e doutores porque acreditam que esses profissionais não conseguem aplicar a teoria acadêmica em questões práticas;

– Não há um projeto eficiente de comunicação para divulgar resultados de pesquisas realizadas em universidades públicas (com dinheiro público) no Brasil – o que faz com que dissertações e teses, que discutem soluções para muitos problemas complexos, fiquem paradas em estantes de bibliotecas;

– Não há um projeto nacional de Estado que seja eficiente e faça a ponte entre empregadores e empregados, de forma a melhor aproveitar talentos em diferentes áreas de estudo.

Tudo isto, alinhado ao fato que o Brasil não tem um projeto nacional de desenvolvimento que incluam polos tecnológicos e científicos, pode incentivar a “fuga de cérebros” para outros países e também inibir jovens com vocação científica a construírem carreiras como pesquisadores no futuro.

Mas e agora? Quem poderá nos defender? Longe de ser um salvador da pátria (o Alecrim dourado ou o Chapolin Colorado), serão as lideranças políticas e sociais que poderão agir pelos interesses dos cientistas – e consequentemente do desenvolvimento do país. Precisamos ouvir a voz da ciência. Apoiar iniciativas de pesquisadores, difundir ideias, financiar projetos. Um país que não escolhe a razão (e a ciência) está fadado a morrer na mão de pessoas que não sabem diferenciar opiniões de estudos científicos.  Estamos aprendendo pelo amor e pela dor. Espero que não esqueçamos.

CAPES:

(https://www.capes.gov.br/36-noticias/10426-relatorio-de-gestao-2019-capes-financiou-quase-cem-mil-bolsas)

Senado:

(https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/515647/noticia.html?sequence=1)

Folha:

(https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2019/09/acesso-a-mestrado-no-brasil-e-16-vezes-menor-do-que-em-paises-ricos.shtml)

MCTIC:

(https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2019/03/10/interna-brasil,741968/desemprego-entre-mestres-e-doutores-no-brasil-chega-a-25.shtml)

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