Press "Enter" to skip to content

Professores! Não desistam!

Compartilhe

Caros leitores,

Esse pequeno texto faz parte de um relato que fiz anos atrás nas redes sociais. Mas segue vivo e forte em mim.

Lembro-me bem quando tive a minha primeira turma. Tudo era novo e me geravam sentimentos mistos. Medo, incerteza, insegurança para passar o conteúdo aos alunos. E ao mesmo tempo sentia revolta, tristeza, mágoa, em perceber toda a estrutura deficitária da escola. Além de uma vontade imensa de ensinar. Porque a escola era precária, quente, com carteiras quebradas, ventilador que não funcionava e sem equipamentos para potencializar o ensino.

Não existiam mapas, globos ou qualquer outro componente que ajudasse esses alunos a conhecer a geografia. Mas isso não me fez desistir. Aliás, nem o fato corriqueiro que ocorreu quando fui tomar posse como professor. Um aluno entrou na sala da diretora com o rosto ensanguentado. O motivo? Existiam duas facções no bairro e uma delas achou que o aluno era morador da parte do bairro gerido pela outra facção. Um triste engano. Ele vivia em outro bairro. Felizmente ele melhorou e eu assumi a vaga mesmo com medo. Mas não foi esse fato que me tocou como professor.

Dois fatos me marcaram profundamente nesta minha primeira empreitada, o primeiro foi um aluno de 16 anos que estava no 6ª ano. Lembro-me bem do fato que me chamou atenção. Em uma aula, onde uma turma era muito difícil, certa vez resolvi parar a aula para chamar a atenção da turma. Após a aula um aluno me chamou no canto, o jovem de 16 anos que estava no 6ª ano, me suplicou para não desistir de ensinar. O jovem, que aparentemente parecia ser desinteressado, na verdade passava por graves problemas familiares. Ele vivia em Feira de Santana, na Bahia, com a mãe e resolveu morar com o pai em Salvador. A mãe, magoada, resolveu segurar o histórico escolar do menino, fato que o deixou por anos fora da escola. Esse apelo me fez respirar fundo e continuar sempre.

Um segundo fato que me marcou muito foi nesta mesma escola, um jovem, na hora do intervalo, me viu e gritou: – Professor, hoje tem suco de manga. Aqueles olhos brilhavam e um simples suco de manga era algo que agregava muito na vida deste jovem. Era, talvez, uma das poucas fontes de sua alimentação.

Por que resolvi relatar tudo isso? Porque a escola é o ponto de partida para a mudança. As vezes a escola faz o papel da família, as vezes é na escola que o menino faz sua única refeição. Sou muito grato aos meus professores por nunca desistirem e por sempre lutarem por uma realidade melhor nesse mundo. São esses alunos que me motivam a lutar sempre, a tentar compartilhar o pouco de conhecimento que tenho, sempre de cabeça erguida e com a certeza que posso fazer a diferença.

Peço aos amigos que são professores que não desistam. Sei o quanto é difícil, mas somos instrumentos do bem, temos a chance de mudar muitas realidades, fazer a diferença na vida de muitas pessoas. Aos demais, percebam como a educação é transformadora e tem um poder libertador, tem a força de abrir os olhos do povo. Então amigos, por favor, não deixem esses políticos acabarem com a nossa educação. Em tempos de total descaso da educação por parte do poder público, ser professor é o maior ato de resistência neste país.

Por fim desejo novamente um feliz dia dos professores, obrigado por tudo meus queridos mestres.

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *